Dr. Cassiano explica sobre a doença que afeta atualmente milhares de pessoas, entre elas, o guitarrista Tony Bellotto
Recentemente, o músico e escritor Tony Bellotto divulgou nas redes sociais que se afastará da banda Titãs, na qual é um dos integrantes, para tratar de um câncer de pâncreas. Doença que tem aumentado a incidência nos últimos anos e considerada de difícil chances de cura.
“O câncer de pâncreas, geralmente, é assintomático em seus estágios iniciais e quando se manifesta, costuma ser inespecífico, aparentando estar relacionado com outros problemas de saúde, de outros órgãos. Condição que limita as opções de tratamento, contribui para diagnósticos tardios e diminui as chances de cura”, alerta o cirurgião oncológico, Dr. Cassiano Coral Acordi.
Os sintomas iniciais podem ser a perda de apetite e de peso sem causa aparente, sensação de empachamento, náusea, vômito ou indigestão, cansaço, dores no abdômen ou na lombar, urina escura e fezes na cor clara e até o aparecimento repentino de diabetes.
“Não há uma causa exata para desenvolver um câncer de pâncreas, mas alguns fatores de risco aumentam as chances de desenvolver o tumor, como o tabagismo, obesidade, em pessoas com mais de 55 anos, com longo histórico de Diabetes tipo 2, pancreatite crônica e histórico de câncer de pâncreas familiar. Fatores que quando possível, devem ser eliminados e os demais, acompanhados regularmente por um oncologista”, destaca o cirurgião oncológico.
O pâncreas é uma glândula que tem como função produzir insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e produzir enzimas digestivas, que ajudam a quebrar os alimentos em partes para poder ser absorvidos pelo organismo. Órgão que se divide em cabeça, colo pancreático, corpo e cauda (que é colada ao baço) e que se localiza na região atrás do estômago e intestino, junto ao duodeno, com vasos sanguíneos responsáveis pela irrigação sanguínea do fígado, do estômago, do baço e dos intestinos.
Diagnóstico
Exames de sangue podem detectar níveis elevados de um marcador tumoral, não somente para ocorrência de câncer de pâncreas, como pode sinalizar a existência de doenças benignas e malignas de outros órgãos. Quando existe suspeita, alguns exames de imagens podem ser solicitados pelo médico.
“Tomografias, ressonâncias magnéticas e ultrassonografia endoscópica, também podem ser solicitados para avaliar a invasão do câncer em vasos sanguíneos e para retirada de amostra de tecido para biópsia, entre outras investigações que variam conforme o quadro clínico do paciente”, ressalta.
Tratamento
Conforme a localização do tumor, duas cirurgias podem ser realizadas no paciente: a duodenopancreatectomia (retirada do duodeno, parte do pâncreas, vesícula biliar) ou uma pancreatectomia de corpo caudal (retirada do corpo e da cauda do pâncreas e do baço).
“Atualmente, em alguns casos, é possível realizar a cirurgia do pâncreas por via minimamente invasiva (videolaparoscopia ou cirurgia robótica). As chances de sucesso do tratamento estão diretamente relacionadas ao diagnóstico precoce e ao tratamento com cirurgia, quimioterapia e radioterapia, por isso, a importância de realizar consultas e exames periódicos”, indica.

Dr. Cassiano Coral Acordi – cirurgião oncológico – CRM 12661 RQE 6087
foto: Agência Unicom