Jogos online e apostas: quando a diversão vira dependência

apostas online

A psicóloga Fabiana do Provida alerta para o perigo à saúde ao passar dos limites


Os jogos online e as plataformas de apostas esportivas, conhecidas popularmente como “bets”, conquistaram milhões de usuários nos últimos anos. Acesso que começa como entretenimento, uma forma de lazer ou até mesmo, como uma tentativa de ganhar dinheiro extra, pode se transformar em um problema sério, quando a atividade passa a interferir na vida pessoal, profissional, financeira e emocional.

A psicóloga Fabiana Faust Fretta, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, referência em dependência em jogos e outras demandas, do Complexo Médico Provida, alerta que o vício em jogos eletrônicos e apostas é uma condição que merece atenção, principalmente porque muitas vezes o comportamento compulsivo costuma a se desenvolver de forma gradual.

“Inicialmente, a pessoa joga ou aposta por diversão, para aliviar o estresse ou buscar emoções positivas. Com o tempo, pode surgir uma necessidade cada vez maior de permanecer conectada, apostando valores mais altos ou dedicando mais horas aos jogos para sentir a mesma satisfação”, destaca Fabiana.

A especialista explica que esses softwares interativos são projetados para manter a atenção das pessoas pelo maior tempo possível. Uma das características mais populares é a recompensa variável: o não saber quando ganhará. Incerteza que gera motivação para continuar jogando e quando recebe uma gratificação (vitória, bônus, prêmio e etc surge a dopamina, que é um neurotransmissor produzido pelo cérebro, também conhecido como “molécula da motivação” ou “hormônio da felicidade”. Mecanismo que ativa circuitos cerebrais de recompensa que podem explicar o potencial de dependência.

“O cérebro reage mais fortemente quando não sabe se vai ganhar do que quando sabe que vai ganhar, por isso é tão difícil parar de jogar “só mais uma rodada”. Some-se a isso, a facilidade de acessar em um celular, a qualquer hora do dia ou da noite e no caso dos jogos de azar, a chance de ganhar dinheiro. E é conjunto de fatores que levam as pessoas a terem uma relação problemática com esse entretenimento“, explica.


Hobby ou transtorno

A diferença, conforme a psicóloga, entre ter um hobby ou um transtorno é o efeito que a atividade reflete na vida de uma pessoa.

“Aqueles que jogam com hobby podem se divertir, estabelecer limites e parar quando querem. Quando há transtorno, o jogador perde gradualmente o controle da situação, mesmo diante de perdas financeiras, tensões familiares e empregatícias, continuam a jogar. O que era antes um lazer, vira necessidade”, alerta a psicóloga.


Público
Crianças e jovens são considerados grupos de risco, mas na prática clínica, o número de adultos com vícios cresce, especialmente entre homens de 20 a 50 anos.

“Temos observado atualmente cada vez mais mulheres, pessoas casadas e profissionais com carreiras estabelecidas procurando atendimento por dificuldades relacionadas às apostas. Em outras palavras, não há um perfil único. Impulsividade, problemas emocionais, estresse e fácil acesso às plataformas são fatores que aumentam o risco, independentemente da idade”, ressalta Fabiana.


Sinais de alerta

Alguns comportamentos merecem atenção:

– pensar em jogos ou apostas o tempo todo;
– tentar parar e não conseguir;
– jogar por mais tempo mais para sentir o mesmo prazer;
– ficar irritado ou ansioso quando não consegue jogar;
– mentir sobre o tempo e dinheiro gasto com o jogo ou aposta,
– queda no desempenho no trabalho ou nos estudos;
– afastamento de amigos e familiares;
– formação de dívidas.

“Um sinal muito característico do jogo é quando uma pessoa perde dinheiro e volta a apostar tentando recuperar o que foi perdido. Esse ciclo geralmente piora progressivamente a situação. Vale destacar que várias modalidades que não parecem apostas à primeira vista funcionam com a mesma lógica: expectativa, recompensa e repetição, despertando preocupação entre pesquisadores por utilizarem mecanismos semelhantes aos observados nos jogos de azar“, completa.

Bets

São plataformas virtuais ou aplicativos de apostas. O termo vem do inglês to bet (apostar). No Brasil, esse nome popularizou-se ao se referir a sites voltados em apostas esportivas (como palpites em partidas de futebol) e jogos de cassino online (como caça-níqueis).


Fabiana Faust Fretta – Psicóloga | CRP 12/06379

Facebook
Twitter
WhatsApp
×