Especialista do Provida explica os sinais de alerta, as causas e a importância do tratamento
A ansiedade faz parte da vida de todas as pessoas. Antes de uma entrevista de emprego, uma prova, uma cirurgia ou qualquer situação desafiadora, é natural sentir preocupação, tensão e até medo. O problema surge quando essa sensação deixa de ser passageira e passa a dominar o dia a dia, afetando o trabalho, os estudos, os relacionamentos e a saúde física.
“A ansiedade é uma resposta natural do organismo diante de situações percebidas como desafiadoras, incertas ou potencialmente ameaçadoras. Ela possui uma função adaptativa importante, pois prepara a pessoa para agir, proteger-se e resolver problemas. Ela só passa a ser considerada um transtorno quando se torna excessiva, frequente, desproporcional à situação e começa a causar sofrimento significativo ou prejuízos na vida da pessoa”, explica o psicólogo do Complexo Médico Provida,
Franco Furghestti.
De acordo com o especialista, os transtornos de ansiedade podem se manifestar de diversas formas. Entre os mais comuns estão o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), caracterizado por preocupações constantes e difíceis de controlar; o Transtorno do Pânico, marcado por crises intensas de medo; a Fobia Social; as Fobias Específicas e o Transtorno de Ansiedade de Separação.
“Embora apresentem características diferentes, todos esses transtornos têm em comum uma percepção aumentada de ameaça ou perigo”, destaca.
O principal sinal de alerta, conforme Franco, não é apenas a intensidade da ansiedade, mas o impacto que ela provoca na rotina.
“Ela se torna um problema quando interfere no funcionamento cotidiano. Isso acontece quando a pessoa passa a evitar situações importantes, encontra dificuldades para trabalhar, estudar, dormir, se relacionar ou vive em um estado constante de preocupação e tensão”.
Os sinais da ansiedade podem aparecer de diferentes maneiras e muitas vezes são confundidos com outras doenças.
Sintomas mais frequentes:
Preocupação excessiva, medo intenso, irritabilidade, dificuldade de concentração, pensamentos negativos recorrentes, aceleração dos batimentos cardíacos, sensação de falta de ar, tensão muscular, tremores, suor excessivo, alterações no sono e no apetite.
“Também é comum que a pessoa passe a evitar situações que provocam desconforto, permanecendo apenas em ambientes onde se sente segura, como em casa ou próxima de familiares”.
Quando permanece por muito tempo sem tratamento, pode favorecer o surgimento de insônia, fadiga crônica, dores musculares, dores de cabeça, problemas gastrointestinais, redução da imunidade e até aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Também pode estar associada à depressão, ao abuso de álcool e outras substâncias e aos transtornos relacionados ao estresse.
Crianças e jovens também podem sofrer com ansiedade
A ansiedade não é um problema exclusivo dos adultos. Ela também pode surgir na infância, entre adolescentes e jovens.
“As crianças podem apresentar irritabilidade, choro frequente, dificuldades escolares, medo excessivo de separação dos pais, dores de barriga, dores de cabeça sem causa médica aparente e alterações no sono. O reconhecimento precoce é fundamental para evitar impactos no desenvolvimento emocional e social.. Os jovens convivem com intensa exposição às redes sociais, comparações constantes, excesso de informações, dificuldades em lidar com frustrações, incertezas sobre o futuro e fortes pressões acadêmicas e profissionais. Além disso, essa geração reconhece e relata seus sintomas emocionais com mais facilidade”, ressalta.
Tratamento
A boa notícia é que a ansiedade pode ser tratada com excelentes resultados.
“A Terapia Cognitivo-Comportamental é uma das abordagens mais estudadas e recomendadas cientificamente. Ela ajuda a identificar padrões de pensamento disfuncionais, desenvolver estratégias de enfrentamento e modificar comportamentos que mantêm a ansiedade”, indica Franco.
Em alguns casos, explica o psicólogo, o tratamento pode incluir também o acompanhamento com médico psiquiatra e o uso de medicação, quando houver indicação clínica.
Além da psicoterapia, hábitos saudáveis fazem grande diferença no controle da ansiedade.
“A prática regular de atividade física, boa higiene do sono, técnicas de relaxamento, mindfulness, organização da rotina e fortalecimento da rede de apoio costumam reduzir significativamente os sintomas. Não existe uma solução única para todos os casos; cada pessoa possui sua própria história e funcionamento”, completa.

Franco Furghestti – Psicólogo